ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA DE NOVEMBRO DE 2025
O Observatório de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (OBECON) acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e procura informar à sociedade seus valores.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, e se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Seu cálculo é feito a partir da média ponderada dos preços de nove grupos de produtos e serviços, que são: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transporte, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Cada grupo tem um peso específico na composição do índice, refletindo a importância relativa dos gastos das famílias brasileiras. Os preços são atualizados mensalmente para examinar as mudanças no custo de vida da população.
Por meio do IPCA, é possível analisar como está a economia do país. Sendo o principal índice medidor da inflação, ele serve de referência para o monitoramento da inflação por parte do Governo Federal, bem como de informação para definir metas anuais de políticas econômicas.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,18% em novembro, após ter marcado 0,09% em outubro, representando um avanço de 0,09 ponto percentual (p.p.). Esse foi o menor resultado para um mês de novembro desde 2018, quando o índice apresentou variação negativa de -0,21%. No acumulado do ano, a inflação soma 3,92% e, nos últimos doze meses, alcança 4,46%. Em novembro de 2024, o IPCA havia registrado aumento de 0,39%. Os dados foram divulgados pelo IBGE no dia 10 de Dezembro.
No mês de novembro, o principal fator de pressão positiva sobre o índice foi o subitem passagem aérea, que apresentou alta de 11,9%, contribuindo com 0,07 p.p. para o resultado geral. Também exerceram influência positiva o aumento da energia elétrica residencial, que subiu 1,27% em função de reajustes tarifários aplicados por algumas concessionárias, e o item hospedagem, pertencente ao grupo Despesas pessoais. Esse subitem avançou 4,09% no mês, com destaque para o expressivo aumento de aproximadamente 178% observado em Belém, associado à realização da COP-30.
Em relação às contribuições negativas, conforme destacou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, sobressaíram as quedas nos preços de itens de higiene pessoal (-1,07%) e de alimentos relevantes no consumo das famílias, como o tomate (-10,38%) e o arroz (-2,86%). Segundo ele, o arroz vem apresentando reduções ao longo de todo o ano de 2025, acumulando recuo de 25%.
Dessa forma, em novembro, o grupo Alimentação e bebidas voltou a registrar variação negativa (-0,01%), com a alimentação no domicílio apresentando queda de 0,20%, encerrando o sexto mês consecutivo de retração. Já a alimentação fora do domicílio variou 0,46%, com desaceleração tanto no lanche, que passou de 0,75% em outubro para 0,61% em novembro, quanto na refeição, que recuou de 0,38% para 0,35% no mesmo período.
O índice de difusão de novembro — que mede a proporção de subitens com variação positiva — atingiu 56%, ficando 4,0 pontos percentuais acima do registrado em outubro. Entre os itens não alimentícios, o percentual foi de 49%, enquanto, no grupo de alimentos, o índice subiu de 49% em outubro para 64% em novembro. Ainda assim, conforme ressalta Fernando Gonçalves, apesar do maior número de altas nos alimentos, o peso e a intensidade das quedas em determinados subitens levaram o grupo Alimentação e bebidas a encerrar o mês com variação negativa de 0,01%.
No segmento de serviços, que acelerou de 0,41% em outubro para 0,60% em novembro, os principais destaques foram as altas da passagem aérea e da hospedagem. Entre os preços monitorados, o índice registrou variação de 0,21%, após queda de 0,16% no mês anterior, influenciado principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial.
Em relação aos resultados regionais, Goiânia apresentou a maior variação mensal (0,44%), impulsionada pela elevação da energia elétrica residencial (13,02%) e dos preços das carnes (1,78%). Por outro lado, Aracaju registrou a menor variação (-0,10%), resultado da redução nos preços do conserto de automóveis (-3,75%) e da gasolina (-1,40%).
O Observatório de Economia está atento aos cenários econômicos que podem contribuir para oscilações de preço e sempre divulgará as informações.
REFERÊNCIAS
IBGE. IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html. Acesso em: 14 de Outubro de 2025.
AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. Com alta das passagens aéreas, inflação é de 0,18% em novembro. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45419-com-alta-das-passagens-aereas-inflacao-e-de-0-18-em-novembro. Acesso em: 16 de Dezembro de 2025.
Texto elaborado por: Maria Fernanda Santos Carvalho – acadêmica do curso de ciências econômicas – ESAN/UFMS.
Orientação: Prof. Dra. Luciane Carvalho, do curso de Ciência Econômicas – ESAN/UFMS.

