ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA DE FEVEREIRO DE 2026

Postado por: MARIA FERNANDA SANTOS CARVALHO

O Observatório de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (OBECON) acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e procura informar à sociedade seus valores.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, e se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Seu cálculo é feito a partir da média ponderada dos preços de nove grupos de produtos e serviços, que são: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transporte, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Cada grupo tem um peso específico na composição do índice, refletindo a importância relativa dos gastos das famílias brasileiras. Os preços são atualizados mensalmente para examinar as mudanças no custo de vida da população.

Por meio do IPCA, é possível analisar como está a economia do país. Sendo o principal índice medidor da inflação, ele serve de referência para o monitoramento da inflação por parte do Governo Federal, bem como de informação para definir metas anuais de políticas econômicas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país divulgado pelo IBGE no dia 12, registrou uma aceleração de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro. Este é o maior resultado desde fevereiro de 2025 (1,31%).

O principal fator para essa alta foi o grupo Educação, que teve a maior variação e impacto (5,21% e 0,31 p.p.), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos. Juntamente com o aumento no grupo Transportes (0,74% e 0,15 p.p.), esses dois grupos foram responsáveis por cerca de 66% do resultado do mês. 

No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 1,03%. Nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,81%, uma desaceleração em comparação aos 4,44% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, destacou que, apesar de mais alto que nos meses anteriores, o resultado do IPCA em fevereiro de 2026 foi o menor para esse mês desde 2020 (0,25%). Ele explicou que a aceleração do índice no ano anterior, quando registrou 1,31% em fevereiro de 2025, foi influenciada pela pressão do grupo Habitação, especialmente na energia elétrica, devido ao término do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu em 2026. Além disso, na comparação com o ano anterior, o grupo Educação apresentou aceleração, passando de 4,70% em fevereiro de 2025 para 5,21% em fevereiro de 2026.

O grupo Educação foi responsável por aproximadamente 44% do índice de fevereiro. A principal influência foi o reajuste habitual dos cursos regulares (6,20%) no início do ano letivo, com as maiores variações observadas no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). No grupo Transportes, a passagem aérea teve um aumento notável de 11,40%. Outros itens com alta foram o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%). Em contraste, o índice dos combustíveis ficou negativo (-0,47%), puxado pelas quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), apesar das altas registradas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).

O grupo Alimentação e bebidas teve pequena variação na passagem de janeiro (0,23%) para fevereiro (0,26%). A alimentação no domicílio registrou 0,23% frente a 0,10% do mês anterior, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%). No lado das quedas, os destaques são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%). A refeição saiu de 0,66%, em janeiro, para 0,49%, em fevereiro, e o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período.

“O grupo dos alimentos variou 0,26%, em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. Além desses produtos o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses dada a boa oferta do cereal” destacou Fernando Gonçalves.

Em Saúde e cuidados pessoais (0,59%), sobressaem os artigos de higiene pessoal (0,92%) e o plano de saúde (0,49%).

Já o grupo Habitação apresentou variação de 0,30% em fevereiro, após a queda de 0,11% registrada em janeiro. A alta foi impulsionada pelo subitem taxa de água e esgoto (0,84%) em razão da apropriação dos seguintes reajustes: 6,21% e 4,69% em Porto Alegre (0,99%) vigentes desde 23 de fevereiro e 1º de janeiro, respectivamente; 6,56% em Belo Horizonte (7,07%) a partir de 22 de janeiro; 4,57% em Campo Grande (0,57%) a partir de 3 de janeiro e 6,48% em São Paulo (0,40%) desde 1º de janeiro.

A energia elétrica residencial variou 0,33% em fevereiro, com a permanência da bandeira tarifária verde. Já o subitem gás encanado apresentou recuo de 1,60% dada a incorporação das reduções de 0,08% (desde 1º de janeiro) e de 4,44% (desde 1º de fevereiro) nas tarifas no Rio de Janeiro (-3,64%) e, também, a redução de 4,01% em Curitiba (-3,77%) a partir de 1º de fevereiro.

Regionalmente, a maior variação do IPCA de fevereiro ocorreu em Fortaleza (0,98%), influenciada pela alta dos cursos regulares (6,83%) e da gasolina (2,95%). A menor variação ocorreu em Rio Branco (0,07%), por conta do recuo da energia elétrica residencial (-1,27%) e do automóvel novo (-0,85%).

O Observatório de Economia está atento aos cenários econômicos que podem contribuir para oscilações de preço e sempre divulgará as informações.

REFERÊNCIAS

IBGE. IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html. Acesso em:16 de Março de 2026.

AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS.Com reajustes das mensalidades escolares, inflação acelera para 0,70% em fevereiro. Disponível em:https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46064-com-reajustes-das-mensalidades-escolares-inflacao-acelera-para-0-70-em-fevereiro. Acesso em: 16 de Março de 2026.

Texto elaborado por: Maria Fernanda Santos Carvalho – acadêmica do curso de ciências econômicas – ESAN/UFMS.

Orientação: Prof. Dra. Luciane Carvalho, do curso de Ciência Econômicas – ESAN/UFMS. 

VERSÃO EM PDF

Veja também