ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA DE ABRIL DE 2026

Postado por: MARIA FERNANDA SANTOS CARVALHO

O Observatório de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (OBECON) acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) informado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e procura informar à sociedade seus valores.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, e se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Seu cálculo é feito a partir da média ponderada dos preços de nove grupos de produtos e serviços, que são: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transporte, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Cada grupo tem um peso específico na composição do índice, refletindo a importância relativa dos gastos das famílias brasileiras. Os preços são atualizados mensalmente para examinar as mudanças no custo de vida da população.

Por meio do IPCA, é possível analisar como está a economia do país. Sendo o principal índice medidor da inflação, ele serve de referência para o monitoramento da inflação por parte do Governo Federal, bem como de informação para definir metas anuais de políticas econômicas.

Em Abril, a inflação desacelerou em relação a março, de 0,88% para 0,67% de um mês para outro, mas acumula no quadrimestre 2,60%, chegando nos últimos 12 meses a 4,39%. Colaboraram para a inflação principalmente o grupo de alimentos e bebidas com alta de 1,34% e saúde e cuidados pessoais cuja alta foi de 1,16%. Contribuiu de maneira individual a gasolina com alta de 1,86% em abril, que mostra um desaceleramento na alta.

A alimentação a domicílio teve alta de 1,64%, influenciada pelas altas na cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carne (1,59%). Tiveram quedas o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%). A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,59%, com o lanche saindo de 0,89% para 0,71% e a refeição, de 0,49% para 0,54%,de um mês para outro.

“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves. 

No 1º quadrimestre de 2025, o acumulado no grupo Alimentação e bebidas foi de 3,70%, 0,26 p.p. acima do resultado de 2026 (3,44%) no mesmo período. O gerente do IPCA destaca que “em 2025 ainda havia o efeito das altas do café e do tomate. Já desde julho de 2025 o café vem registrando queda nos resultados mensais.” 

Saúde e cuidados pessoais apresentou alta de 1,16%, contribuíram para isso produtos farmacêuticos (1,77%), após a autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1° de abril, e os produtos de higiene pessoal (1,57%); com destaque para perfume (1,94%). No 1º quadrimestre de 2025, o acumulado no grupo Saúde e cuidados pessoais foi de 2,83%, 0,08 p.p. abaixo do resultado de 2026 (2,91%) no mesmo período. Fernando Gonçalves compara os períodos e explica a queda: 

“O movimento de preços é semelhante nos dois períodos, com influência, de forma geral, do plano de saúde e dos artigos de higiene pessoal. Destaca-se o reajuste dos medicamentos, aprovado a partir de abril, com limite de até 5,09% em 2025 e 3,81% em 2026. Importante salientar, também, que a desvalorização do Real frente ao dólar nos primeiros meses de 2025 estava maior do que agora em 2026, e a moeda estrangeira regula insumos importados utilizados na indústria farmacêutica.” 

O grupo Habitação, com variação de 0,63%, influenciado principalmente pela alta do gás de botijão (3,74%) e da energia elétrica residencial (0,72%), que incorpora os seguintes reajustes: 6,92% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (4,83%), ambos com vigência a partir de 15 de março; 12,36%, em Campo Grande (2,27%), a partir de 24 de abril; 4,78%, em Salvador (2,23%), desde de 22 de abril; 3,86% em Recife (1,05%), vigente desde de 29 de abril; 5,91% em Aracaju (0,89%), e 5,59% em Fortaleza (0,44%), ambos a partir de 22 de abril. Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto (0,22%) reflete o reajuste de 4,80% nas tarifas em Goiânia (4,80%), a partir de 1º de abril.

O grupo Transportes passou por desaceleração, na passagem de 1,64% no mês anterior para 0,06%, principalmente pela queda nas passagens aéreas. Combinado a ele, o ônibus urbano variou -1,13% dada a apropriação de gratuidades ou reduções de tarifa aos domingos em São Paulo (1,10%) e Salvador (0,55%) e, também, nos feriados, em Fortaleza (-0,57%), Vitória(-0,60%), Curitiba (-3,05%), Brasília (-6,58%), Belém (-6,60%) e Belo Horizonte (-6,72%). A redução de 0,38% no metrô foi devido à incorporação das gratuidades nas tarifas aos domingos e feriados em Brasília (-6,58%). 

As altas no grupo se devem principalmente à alta nos combustíveis(1,80%). Apesar da desaceleração da gasolina, ela segue sendo a principal influência do índice. Também se destacam as altas no óleo diesel, 4,46%, e no etanol (0,62%). O gás veicular recuou 1,24%. No ônibus intermunicipal (0,55%) está contemplado o reajuste de 8,18% nas tarifas em Porto Alegre (3,52%), desde 8 de abril, e o subitem táxi (0,26%) reflete o reajuste de 7,72% em Recife (5,81%), vigente desde 12 de fevereiro, não captado anteriormente. 

Quanto aos índices regionais, a maior variação ocorreu em Goiânia (1,12%), influenciada pela alta da gasolina (5,77%) e da taxa de água e esgoto (4,80%). A menor variação ocorreu em Brasília (0,16%), por conta do recuo da passagem aérea (-10,88%) e da gasolina (-1,03%). 

REFERÊNCIAS

IBGE. IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html. Acesso em: 20 de Maio de 2026.

AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS.Influenciada pela alta dos alimentos e remédios, inflação fica em 0,67% em abril. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46656-influenciada-pela-alta-dos-alimentos-e-remedios-inflacao-fica-em-0-67-em-abril. Acesso em: 20 de Maio de 2026.

Texto elaborado por: Maria Fernanda Santos Carvalho – acadêmica do curso de ciências econômicas – ESAN/UFMS.

Orientação: Prof. Dra. Luciane Carvalho, do curso de Ciência Econômicas – ESAN/UFMS. 

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